sábado, 1 de outubro de 2011

O Jogo na Azeitona e no Brasil

Na imprensa, os comentaristas de futebol gostam de citar e criticar os técnicos que atribuem as derrotas dos seus times aos jogadores e inferem a si mesmos os louros das vitórias. Para tais treinadores, no revés, a imbecilidade ou inabilidade dos atletas é a culpada. Quando estes acertam foi por conta da mais pura perícia e perspicácia do comandante, o baluarte da estratégia.

 
Na economia acontece algo semelhante. Quando se tem crescimento e desenvolvimento há quem diga que estes decorreram do empreendedorismo e da astúcia dos donos do capital, dos empresários. Nesse discurso, o aumento salarial de seus empregados – os trabalhadores – é inviável, pois causaria inflação. É o caso do Brasil atual. Por outro lado, quando há crise e recessão, a solução é o “ajuste fiscal”. Em outras palavras, é preciso que os governos contenham os gastos na educação, na saúde e no atendimento à população em geral. Simultaneamente, os acólitos do capital sugerem que tais governos precisam arrecadar mais. É o caso presente da Grécia, Espanha, Portugal e Itália, ou como disse o economista Luis Paulo Rosemberg em entrevista no canal 40 da Sky, “os países da azeitona”. Contudo, a angariação de recursos não deve advir do aumento de impostos dos mais ricos, mas sim na contribuição dos trabalhadores, do sistema previdenciário por exemplo. A proposta recorrente é sempre o aumento do tempo de contribuição para aposentadoria.

Marx definia o intervalo entre as crises do capitalismo em torno de 10 anos. Dessa forma, como a expectativa de vida tem crescido desde o início do século 19, a cada crise acaba por se ampliar o tempo de contribuição. É possível que, nesse ritmo da combinação de crises e tempo de vida, cheguemos a viver 100 anos, mas tendo que contribuir 70 anos ou trabalhar até os 95 anos!

Por que não se pode aumentar a faixa de contribuição das empresas para a previdência? Por que os benefícios do desenvolvimento da medicina e ampliação da vida não podem ser usufruídos na forma de mais tempo livre ao trabalhador, ainda que na forma de aposentadoria?

Porque nesse jogo, no Capitalismo, os trabalhadores estão e estarão sempre fadados a sofrer mais gols do que marcar! O ataque desse time estará sempre em impedimento. Parece restar só uma solução: mudar esse jogo, trocar árbitro e auxiliares!

Um comentário:

CTB Educação disse...

POstei no FB, meu velho...ficou bom o seu texto...abraço!